sexta-feira, 14 de julho de 2017

Fêmeas podem virar maioria entre tartarugas marinhas


Estudo indica que o aumento das temperaturas influencia o sexo dos filhotes, fazendo crescer o número de fêmeas, e provoca a mortalidade dos ovos




A população de fêmeas entre as tartarugas marinhas pode crescer desproporcionalmente se as temperaturas continuarem aumentando por causa do aquecimento global, aponta um estudo publicado na última sexta-feira no periódico Global Change Biology. Com um número muito inferior de machos, a espécie teria sua reprodução prejudicada. Além disso, se as temperaturas aumentassem demais, os ovos, que precisam de um ambiente entre 25ºC a 35ºC para se desenvolver, acabariam morrendo, levando a espécie à extinção em algumas partes do planeta.

A temperatura na qual os embriões das tartarugas marinhas ficam incubados influenciam diretamente no sexo dos indivíduos, uma característica conhecida como Determinação Sexual Dependente da Temperatura (TSD, na sigla em inglês). Para que machos e fêmeas sejam produzidos em iguais proporções, a temperatura ideal gira em torno dos 29ºC – acima dessa marca, o número de fêmeas começa a superar o de machos e, abaixo dela, o número de machos ultrapassa o de fêmeas. Segundo as conclusões do estudo, isso significa que, considerando um contexto em que as temperaturas tendem a subir com o aquecimento global, o futuro da população de tartarugas marinhas pode apresentar um desequilíbrio na proporção dos sexos, pendendo para uma maioria feminina.

Embora os cientistas admitam que machos podem copular com mais de uma fêmea, a reprodução da espécie pode ser ameaçada se a população de machos for muito inferior. Além disso, a mortalidade dos ovos também aumenta com temperaturas elevadas. “Acima de uma temperatura crítica, a taxa de crescimento natural da população cai, por causa do aumento da mortalidade nos ninhos. As temperaturas são altas demais e os embriões em desenvolvimento não conseguem sobreviver”, afirma em comunicado o biólogo Jacques-Olivier Laloë, da Universidade Deakin, na Austrália.

Os cientistas acompanharam durante seis anos a evolução da temperatura da areia em um dos principais locais de deposição de ovos de tartaruga no planeta, em Cabo Verde, no continente africano. Eles também registraram as taxas de sobrevivência de 3.000 ninhos para estudar a relação entre as temperaturas de incubação e as chances de sucesso dos embriões. Usando projeções climáticas locais, os pesquisadores fizeram previsões para estimar como o número de tartarugas mudaria ao longo do século XXI naquele sítio.

Os resultados apontam que o número de ninhos deve aumentar em 30% até 2100, mas se as temperaturas continuarem aumentando no mesmo ritmo, pode começar a cair logo em seguida. “Recentemente, em lugares como a Flórida – outro importante sítio de incubação – cada vez mais ninhos de tartarugas apresentam menos índices de sobrevivência do que no passado”, disse Laloë.

“Se for necessário, medidas de conservação poderiam ser adotadas ao redor do mundo para proteger os ovos. Essas medidas envolvem criar sombras artificiais para os ninhos de tartarugas ou mover os ovos a uma incubadora protegida e com temperaturas controladas.”

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Ato de encerramento/protesto do semestre de 2016.2 na FFP




CONVITE
Estamos convidando a comunidade da FFP (alunos, técnicos e docentes) e nosso parceiros para uma ato de encerramento do semestre de 2016/2. Obviamente, é, também, um ato protesto.
Iremos nos reunir no dia 13 (quinta-feira) para tiramos uma foto no nosso gramado, escrevendo a palavra RESISTE ao lado da nossa sigla.
A ideia é que todos venham com roupas bem coloridas, mas tenham disponível um casaco ou uma camisa preta. Vamos tirar duas fotos; uma de luto e outra bem alegre e colorida.
Iremos montar um painel para divulgação no facebook com os dizeres:
"O governo nos quer de luto (foto1), mas nós somos de LUTA! (foto 2)."
Divulguem o convite. Venham se juntar a nós!
A concentração se inicia às 13h para realização das fotos até às 14h.
Vamos mostrar nossa força e alegria de estar aqui na UERJ/FFP!
Ana Santiago e Mariza de Paula Assis


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Novos registros de borboletas para o Estado do Rio de Janeiro


Calospila parthaon (J.W. Dalman 1823), REGUA, RJ, Brasil, December 2015 (© Sandra Lamberts)
Apesar do RJ ter sido historicamente uma das portas de entrada preferida de muitos dos naturalistas que nos visitaram – quer no tempo da Colônia, como no do Império – resultando num invejável precedente de alguns séculos de pesquisa e documentação da Biodiversidade no Estado; ainda aparecem ‘surpresas’ ocasionalmente e, inclusive, espécies novas para a Ciência, especialmente nos grupos menos estudados e amostrados.

Nesta postagem damos a conhecer dois registros novos de borboletas para o RJ, da família Riodinidae. Estas espécies foram documentadas – por meio de fotografia digital – por alguns dos nossos hóspedes, pesquisadores ou funcionários, em suas caminhadas pelas trilhas da REGUA.

Semomesia geminus possui registros no ES, MG e PE, pelo que seu aparecimento no RJ não foi uma surpresa total; tendo já sido fotografada uma meia dúzia de vezes nas trilhas da REGUA por várias pessoas, inclusive nossos guarda-parques.


Semomesia geminus (Fabricius, 1793), REGUA, RJ, Brasil (© Jailson da Silva)

Já Calospila parthaon é conhecida apenas da região Amazônica e referenciada na BA, tendo sido fotografada (ambos sexos) na Trilha São José, por nossos hóspedes Arnold Wijker e Sandra Lamberts em Dezembro de 2015, numa estadia de fotografia muito produtiva na qual registraram muitas ocorrências novas de Riodinideos na REGUA e na região do Pico do Caledônia (Parque Estadual dos Três Picos – PETP).


FONTE: http://regua.org.br/pesquisa/registros-novos-de-borboletas-para-o-estado-do-rio-de-janeiro/

domingo, 18 de junho de 2017

Marina da Glória terá passeios para ver tartarugas e peixes

A atividade integra a programação da Semana do Meio Ambiente, que acontece de segunda (19) a sexta (23)

Tartaruga marinha: visitas diárias na programação (iStock/Divulgação)


Diariamente haverá um passeio para mostrar os peixes e as tartarugas que fazem parte da fauna marinha local. Também estão previstas uma exposição com réplicas do boto-cinza e a construção de uma prancha de stand-up paddle com garrafas plásticas. Essas são algumas das atividades programadas para a Semana do Meio Ambiente, que acontece na Marina da Glória de segunda (19) a sexta (23), visando a conscientizar a população da importância da preservação da natureza. As atrações da feira, montada no pavilhão principal, incluem ainda uma série de palestras, com temas como poluição marinha, crimes ambientais e unidades de conservação. A entrada é gratuita e aberta ao público mediante inscrição pelo e-mail: ambiental@brmarinas.com.br.



FONTE: http://vejario.abril.com.br/cultura-lazer/marina-da-gloria-tera-passeios-para-ver-tartarugas-e-peixes/

sábado, 17 de junho de 2017

Maqua UERJ: Golfinhos viram presença diária na Baía de Guanabara

Num fenômeno atípico, grupo de cerca de 50 animais parece ter se mudado para o lugar

Um grupo de cerca de 40 golfinhos, da espécie dentes-rugosos, se tornou a mais nova (e bela) surpresa da tão maltratada Baía de GuanabaraFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

A manhã na Baía de Guanabara começou com cara de ressaca. Por volta das 7h, um bote inflável movido a motor deixou um clube da Ilha do Governador com dois biólogos da Uerj a bordo. Depois de uma parada rápida na Marina da Glória, a embarcação seguiu em direção ao lado oposto, vencendo as ondas da Boca da Barra. Em apenas meia hora, sem qualquer pista, a equipe, já próxima à Fortaleza de Santa Cruz, encontrou o que buscava: um grupo de cerca de 40 golfinhos-de-dentes-rugosos, que se tornou a mais nova (e bela) surpresa da tão maltratada Baía de Guanabara. Entre os animais, há um filhote recém-nascido, sempre ao lado da mãe. Tão simpáticos quanto “Flipper”, o golfinho que protagonizava uma série nos anos 1960, alguns animais cercaram a embarcação e colocaram suas cabeças para fora, curiosos. Num certo momento, um deles brincou com o lixo flutuante — jogou para o alto uma embalagem de margarina, como se estivesse fazendo embaixadinha.

Entre os animais há um filhote recém-nascido, sempre ao lado da mãeFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Neste outono, a Baía dá demonstrações de que, mesmo agonizante e praticamente abandonada à própria sorte pelo estado em crise, continua viva. A presença desses golfinhos (da espécie Steno bredanensis, seu nome científico) numa frequência quase que diária é algo completamente atípico. O fenômeno inusitado se completa com o fato de o mesmo grupo explorar áreas cada vez mais distantes da entrada da Baía, como a Ponte Rio-Niterói.

Passeio de animais até Botafogo

Nas últimas semanas, pesquisadores se depararam com os bichos até do outro lado da Ponte. Virou rotina acompanhá-los perto do Aeroporto Santos Dumont, do Porto do Rio, do Museu do Amanhã, da Praia de Botafogo e da orla de Niterói. A cada dia, os golfinhos-de-dentes-rugosos dão show nas águas da Baía, com cenas de piruetas no ar, atraindo a atenção de esportistas, pescadores e profissionais embarcados em navios. Dois grupos de pesquisa monitoram hoje a turma: o Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua), da Faculdade de Oceanografia da Uerj, e o projeto Baleias e Golfinhos do Rio de Janeiro, que atua em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, o Programa Marinho do WWF-Brasil e o Instituto Mar Adentro.

— O golfinho-de-dentes-rugosos é o nosso muso do outono — elege a bióloga Liliane Lodi, do Baleias e Golfinhos. — Há dois meses acompanhamos um grupo, entre 40 e 50 animais, na Baía de Guanabara, pescando. É a época da tainha. Desde 2004, trabalho monitorando golfinhos na nossa costa, mas nunca tinha visto eles entrarem com essa frequência e indo tão dentro da Baía. E há vários filhotes junto. Às vezes, assistimos às mães ensinando os bebês a pescar: elas soltam o peixe para os filhotinhos; se eles não conseguem pegar, elas repetem.


Os animais que no momento habitam a Baía são sempre os mesmos. A identificação é feita por marcas nas nadadeiras: eles mordem uns aos aos outros como forma de brincar. Os representantes dessa espécie possuem estrias verticais nos dentes (por isso o nome pelo qual são conhecidos), podem medir até 2,80m e têm a boca cor-de-rosa. Também emitem sons que servem para explorar o ambiente e localizar presas. Na Baía, seguem barcos e canoas havaianas. Entre uma pescaria e outra, dão saltos no ar, atraindo cardumes:

— Eles brincam com os sacos, ficam jogando de um para outro. Mas esse plástico pode também matá-los — diz o biólogo Alexandre Azevedo, integrante do Maqua, que também monitora os botos-cinza.
Pela última estimativa, restam apenas 34 botos na Baía de Guanabara, sendo que eles estão cada vez mais restritos ao fundo do espelho d’água. Pelo observação dos pesquisadores do laboratório, os golfinhos-de-dentes-rugosos não costumam ficar assim tão à vontade em áreas habitadas pelos botos. Com o caminho mais livre, aproveitam:

— Talvez estejam colonizando o espaço deixado pelo boto-cinza na Baía. Há essa possibilidade, mesmo que pequena. A característica deles é se deslocar muito em busca de alimentos. Golfinhos vistos aqui também já foram registrados por pesquisadores no Norte de São Paulo e na Ilha Grande — afirma Alexandre.

O Maqua tem registrado 150 animais da espécie que frequentam a Baía. Alguns observados agora são os mesmos de outros anos. Mas, em 25 anos de acompanhamento feito pelo laboratório, é a primeira vez que um grupo parece ter “se mudado” para a Baía. Pode ser que a turma permaneça até o fim do inverno.

Tainha é uma “iguaria”

Os reais motivos para essa mudança de comportamento são um mistério. Há algumas hipóteses. Além do espaço deixado pelos botos, há um possível aumento na quantidade de tainhas, que estão na época de reprodução. Presidente da Associação Livre de Pescadores e Amigos de Itaipu, Jorge Nunes de Souza, o Chico, diz que, desde o ano passado, o litoral do Rio, incluindo a Baía, conta com mais peixes da espécie pela restrição à pesca industrial no Sul do país, imposta pelo governo federal desde 2015. Os golfinhos já foram em vários momentos flagrados por câmeras dos pesquisadores com tainhas na boca e também peixes-espada, outro “prato” muito disputado.


— A presença deles não quer dizer que a qualidade da água esteja melhorando. Eles se alimentam aqui, mas estão expostos a todo tipo de degradação da Baía de Guanabara. Mas, apesar disso, a Baía continua muito importante para a vida marinha. Ela precisa é ser cuidada, porque tem muito a oferecer — destaca Alexandre, do Maqua.

A cada dia os golfinhos-de-dentes-rugosos (cientificamente Steno bredanensis) dão show nas águas da Baía, com cenas de piruetas no ar, atraindo a atenção de esportistas, pescadores e profissionais embarcados em navios Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo


Liliane Lodi conta que, em abril, se deparou com um filhote bem pequeno com a mãe. Agora, já está maior e mais gordinho. Sinal de que há vários dentes-rugosos cariocas na área. Após o inverno, pesquisadores dizem não saber qual será o destino do grupo, que, enquanto não vai embora, diverte turistas e quem navega pela Baía de Guanabara. A cada encontro, a festa é grande:

— É muita emoção remar com eles — diz o biólogo e professor de canoa havaiana Paulo Cordeiro. — Ver um animal selvagem em sua plenitude, senhor absoluto do seu ambiente, é fantástico. Sem falar que eles agora estão na nossa raia de treinos. É um privilégio compartilhar o mar com esses mamíferos.


terça-feira, 30 de maio de 2017

Ilha no Pacífico tem a maior concentração de lixo plástico do mundo

A ilha fica a cerca de 5.5 mil km da costa do Chile


Uma ilha desabitada do Pacífico Sul é o local com a maior densidade de lixo plástico do mundo. A Ilha Henderson, parte do arquipélago de Pitcairn, um território do Reino Unido, tem um número de pedaços de plástico em suas praias estimado em 37,7 milhões. O motivo? Henderson fica no caminho de uma corrente marinha, e acaba recebendo lixo jogado de navios e vindo da costa oeste da América do Sul.

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Cientistas britânicos e australianos, que mapearam o estado da poluição na ilha, esperam que seu estudo faça as pessoas "repensarem seu relacionamento com o plástico". Eles estimam que haja uma densidade de 671 itens por metro quadrado e um total de 17 toneladas.

"Uma grande parte dos detritos que encontramos na ilha era o que erradamente chamamos de descartáveis", disse a bióloga Jennifer Lavers, da Universidade da Tasmânia (Austrália).Image captionAnimais, como crustáceos, acabam afetados pelo lixo."


Animais, como crustáceos, acabam afetados pelo lixo


O estudo, publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences, descreve como o arquipélago, distante mais de 5,5 mil km da costa do Chile, funciona como uma espécie de "pia" para o lixo do mundo, localizado perto de um "ralo" chamado Giro do Pacífico Sul - o maior sistema de correntes marítimas do globo.

Além de restos de objetos ligados à pesca, as areias em Henderson estão salpicadas de itens mais familiares do dia a dia, como escovas de dentes, isqueiros e lâminas de barbear.

"Caranguejos estão usando tampas, potes e jarras de plástico como novas casas", disse Lavers.

"Pode parecer bonitinho, mas não é. O plástico é velho, frágil e tóxico."

A cientista contou ainda que foi encontrado um grande número de capacetes plásticos, do tipo usado na construção civil.
Escala da sujeira. Henderson faz parte de uma lista de lugares do mundo reconhecidos como patrimônio da humanidade pela Unesco, a agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, que descreve "praias intocadas" e "paisagens exuberantes". Uma imagem que não poderia ser mais diferente das divulgadas por Lavers e os colegas.Image captionQuantidade de detritos na ilha seria de 37,7 milhões

"Quase todas as ilhas do mundo e quase todas as espécies no oceano de alguma forma estão sendo afetadas por nosso lixo. Nenhum país e nenhuma pessoa está impune", afirmou a cientista.

Lavers explicou que o plástico é especialmente devastador para os oceanos porque boia e é para lá de durável - uma garrafa, por exemplo, demora uma média de 450 anos para degradar.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Brasil tem maior diversidade de árvores do planeta

Pesquisadores estimam que haja 60.065 espécies de árvores no mundo, das quais 14% são encontradas em território brasileiro.


Digitalização de dados permitiu fazer levantamento inédito de espécies (Foto: BGCI )

O Brasil é o país com a maior biodiversidade de árvores do mundo, aponta um levantamento inédito.

Há 8.715 espécies de árvores no território brasileiro, 14% das 60.065 que existem no planeta. Em segundo na lista vem a Colômbia, com 5.776 espécies, e a Indonésia, com 5.142.

Publicado no periódico Journal of Sustainable Forestry, o estudo foi realizado pela Botanical Gardens Conservation International (BGCI na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos, com base nos dados de sua rede de 500 jardins botânicos ao redor do mundo.

A expectativa é que a lista, elaborada a partir de 375,5 mil registros e ao longo de dois anos, seja usada para identificar espécies raras e ameaçadas e prevenir sua extinção.

Ameaça

A pesquisa mostrou que mais da metade das espécies (58%) são encontradas em apenas um país, ou seja, há países que abrigam com exclusividade, certas espécies - podem ser centenas ou milhares -, o que indica que estão vulneráveis ao desmatamento gerado por atividade humana e pelo impacto de eventos climáticos extremos.

Trezentas espécies foram consideradas seriamente ameaçadas, por terem menos de 50 exemplares na natureza.

Também foi identificado que, com exceção dos polos, onde não há árvores, a região próxima do Ártico na América do Norte tem o menor número de espécies, com menos de 1,4 mil.

Trezentas espécies estão seriamente ameaçadas, por terem menos de 50 exemplares na natureza (Foto: BGCI)

O secretário-geral da BGCI, Paul Smit, disse que não era possível estimar com precisão o número de árvores existentes no mundo até agora porque os dados acabam de ser digitalizados.

"Estamos em uma posição privilegiada, porque temos 500 instituições botânicas entre nossos membros, e muitos dos dados não estão disponíveis ao público", afirma.

"A digitalização destes dados é o auge de séculos de trabalho."

Uma parte importante do estudo foi estabelecer referências e coordenadas geográficas para as espécies de árvores, o que permite a conservacionistas localizá-las, explica Smith.

Pesquisa mostrou que mais da metade das espécies de árvores são encontradas em um único país (Foto: BGCI)

"Obter informações sobre a localização dessas espécies, como os países em que elas existem, é chave para sua conservação", diz o especialista.

"Isso é muito útil para determinar quais devemos priorizar em nossas ações e quais demandam avaliações sobre a situação em que se encontram."

Conservação

Entre as espécies em extinção identificadas pela BGCI está a Karoma gigas, nativa em uma região remota da Tanzânia. No fim de 2016, uma equipe de cientistas encontrou apenas um único conjunto formado por seis exemplares.


Base de dados será fundamental para conservar espécies, diz especialista (Foto: Kyle Dexter)

Eles recrutaram habitantes da área para proteger essas árvores e monitorá-las para que sejam alertados caso produzam sementes.

Assim, as sementes poderão serão levadas para jardins botânicos da Tanzânia, o que abre caminho para sejam reintroduzidas na natureza depois.

A BGCI diz esperar que o número de árvores da lista cresça, já que cerca de 2 mil novas plantas são descritas todos os anos.

A GlobalTreeSearch, uma base de dados online criada a partir do levantamento, será atualizada toda vez que uma nova espécie for descoberta.


FONTE: