segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Antártida ganha a maior reserva marinha do mundo

O mar de Ross é considerado um dos ecossistemas mais intactos do planeta


Depois de anos de tentativas, finalmente o Mar de Ross foi oficializado como uma reserva marítima, a maior do mundo. A área, agora protegida, possui 1,55 milhão de km². Destes, 1,22 milhão são zonas de exclusão de pesca, onde a atividade não pode ser desenvolvida. A área total equivale a aproximadamente os territórios de Reino Unido, França e Alemanha.

O Mar de Ross, localizado na Antártida, em uma baía no Oceano Pacífico, tem uma significativa importância. É tido como o "último oceano", por ser considerado o último ecossistema marinho intacto no planeta, sem contaminação, pesca em excesso ou espécies invasoras.

O acordo foi firmado nesta sexta (28) pela CCRVMA (Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos). O consenso unânime é necessário para qualquer decisão na comissão, composta por 25 países.



A tentativa de criação da reserva começou em 2012, por iniciativa dos EUA e da Nova Zelândia. Cinco tentativas foram necessárias até o sucesso. Somente a Rússia permanecia em desacordo quanto à área protegida, por preocupação quanto aos direitos de pesca. A China só passou a apoiar o santuário em 2015.

"Pela primeira vez, os países superaram suas divergências para proteger uma grande área do oceano austral e águas internacionais", comemorou Mike Walker, diretor da organização Antarctic Ocean Alliance.

Pequenas quantidades de pesca para fins científicos serão permitidas na áreas protegidas. No oceano antártico, que representa 15% da superfície dos oceanos, há ecossistemas excepcionais, que contêm mais de 10 mil espécies únicas, muitas delas preservadas das atividades humanas, mas ameaçadas pelo desenvolvimento da pesca e da navegação.

Andrea Kavanagh, diretora para a Antártida da organização The Pew Charitable Trusts, espera que esse seja o primeiro passo para a criação de uma rede de reservas marinhas no mundo.

As nações já começaram a considerar propostas para transformar o Mar de Weddell e o leste da Antártida em áreas protegidas.
O Mar de Ross foi batizado em homenagem ao britânico James Ross, que explorou também a região do Ártico.

O acordo entra em vigor em dezembro de 2017 e será válido por 35 anos na zona de proibição de pesca. Encerrado esse período, os países membros da CCRVMA devem decidir por unanimidade a prorrogação da reserva, algo que não deverá ser fácil, tendo em vista as dificuldades observadas no passado para obter avanços nas negociações.

Além do Brasil, os países que integram a convenção são Argentina, Austrália, Bélgica, Bulgária, Canadá, Chile, China, Ilhas Cook, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Ilhas Maurício, Namíbia, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Paquistão, Panamá, Peru, Polônia, Rússia, África do Sul, Espanha, Suécia, Ucrânia, Reino Unido, Estados Unidos, Uruguai e Vanuatu. 



FONTE: www1.folha.uol.com.br/ambiente/2016/10/1827166-antartida-ganha-a-maior-reserva-marinha-do-mundo.shtml 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

ICMBio inaugura trilha para portadores de deficência

Edificação fica em Reserva Natural de Curitiba (PR) e permite a observação de espécies da fauna e da flora

Reprodução/ICMBio

No dia 26 de outubro o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) inaugurou a trilha com acesso a deficientes na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Airumã, em Curitiba (PR).
De acordo com a proprietária da reserva, Terezinha Vareschi, a trilha foi planejada de forma a proporcionar total acesso a pessoas com mobilidade reduzida e com deficiências sensoriais.
Terezinha disse ainda que a área externa da trilha foi construída em parte com blocos de concreto intertravados, conhecidos como "pavers". “Eles foram descartados por apresentar pequenos defeitos de fabricação, mas isso não os invalidou para nosso objetivo”, explicou ela.
Segundo a proprietária, a parte interna do bosque, que é elevada para permitir a passagem de fauna e mínima intervenção na flora, foi executada em "madeira plástica", produzida a partir de resíduos de madeira e de plásticos inservíveis ao reuso humano, transformados em material inerte e resistente ao ataque de fungos e insetos, praticamente eliminando custos de manutenção.
Serviço:
RPPNM Airumã fica na Rua Fredolin Wolf, 3539, Curitiba (PR), onde também está sediada a Associação dos Protetores de Áreas Verdes (Apave).


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Rio de Janeiro inaugura maior aquário marinho da América do Sul

AquaRio

Novo ponto turístico está localizado no Porto Maravilha, próximo ao Boulevard Olímpico, onde ficam os museus do Amanhã e de Arte do Rio

O Rio de Janeiro inaugurou, nesta segunda-feira (31), o maior aquário marinho da América do Sul. Localizado no Porto Maravilha, o AquaRio conta com um espaço de 26 mil metros quadrados, que abriga 4,5 milhões de litros de água salgada divididos em 28 tanques e reúne cerca de oito mil animais de 350 espécies.
O novo ponto turístico está localizado nas proximidades do Boulevard Olímpico, área revitalizada para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, que reúne outros atrativos como o Museu do Amanhã, Museu de Arte do Rio e o painel “Etnias”, de autoria do artista brasileiro Eduardo Kobra. 
Entre as espécies exposta estão peixes da costa brasileira, do Caribe e do Indo-Pacífico, como tubarões, arraias, moreias e cavalos-marinhos entre outros. O maior tanque do local, batizado como ‘Recinto Oceânico’, tem 7 metros de profundidade e 500 m² de área, com uma grande arquibancada para visitantes.
O projeto reforça a continuação da revitalização da antiga zona portuário do Rio de Janeiro. O aquário ocupa o prédio da antiga Companhia Brasileira de Armazenamento Cibrazem.
O empreendimento é resultado de um investimento de R$ 130 milhões feito pela iniciativa privada, e sua gestão é de responsabilidade do Instituto Museu Aquário Marinho do Rio de Janeiro (Imam). A expectativa é de que o local, que será aberto oficialmente para o público em 9 de novembro, receba, em média, de 4 e 5 mil visitantes por dia.
Boulevard Olímpico
A área revitalizada de 3 quilômetros compreende as praças XV e Mauá; centos culturais; museus, entre eles o MAR (Museu de Arte do Rio) e Museu do Amanhã; a Cidade do Samba e galpões multiuso do antigo Porto do Rio. A região conta ainda um moderno sistema de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) para auxiliar a mobilidade de turistas e moradores da cidade.

sábado, 5 de novembro de 2016

[Revista CH] Sumindo das florestas...

Onça-pintada pode desaparecer da mata atlântica. A perda de um predador que ocupa o topo da cadeia alimentar deverá, segundo pesquisadores, causar sérios impactos ao bioma.



Onça-pintada, maior felino das Américas. Ação humana pode comprometer o futuro da espécie na mata atlântica. (foto: Beatriz Beisiegel)

Maior felino das Américas e terceiro maior do mundo (perde apenas para o tigre e o leão), a onça-pintada (Panthera onca) poderá, em breve, estar extinta na mata atlântica. É o que estimam alguns especialistas brasileiros, segundo os quais todo o bioma não chega a ter 250 indivíduos. A mata atlântica se estende ao longo da costa nordeste, sudeste e sul do Brasil, e cobre partes da Argentina e do Paraguai. 

Presente em boa parte do continente americano, do México ao norte da Argentina, a onça-pintada aparece em todos os biomas brasileiros, à exceção dos pampas, de onde teria desaparecido há pouco tempo devido à ação humana. No país, as maiores populações da espécie estão na Amazônia e no Pantanal. Calcula-se que em todo o mundo o número de indivíduos não chegue a 10 mil. 


Caso a onça-pintada desapareça da mata atlântica, será a primeira vez que um bioma tropical terá perdido um predador de topo da cadeia alimentar (que não é presa natural de nenhuma outra espécie). A situação do animal nesse ambiente foi descrita em carta redigida por 13 pesquisadores (12 deles brasileiros) e publicada recentemente na revista Science. 




Dados que preocupam 



Um dos signatários do documento, o biólogo Eduardo Eizirik, da Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul, afirma que o número estimado de onças-pintadas na mata atlântica é pequeno. Como esses indivíduos estão espalhados em oito populações (grupos de animais que vivem e se reproduzem entre si) isoladas, com poucos integrantes cada uma, a conservação de P. onca se torna ainda mais difícil. 


Isso porque, segundo Eizirik, uma população pequena está mais vulnerável a acasos. O nascimento de animais do mesmo sexo ou a morte de um indivíduo, por exemplo, pode prejudicar a reprodução da espécie. “As mesmas eventualidades não teriam efeitos tão severos se as populações fossem maiores”, diz o biólogo. 




Extinção da onça-pintada na mata atlântica pode produzir sérios impactos ambientais. Caso isso aconteça, será a primeira vez que um bioma tropical terá perdido um predador de topo da cadeia alimentar. (foto: Beatriz Beisiegel) 


Ele acrescenta que grupos menores podem também ser afetados geneticamente. “As chances de endocruzamento [acasalamento entre parentes] são maiores, o que pode resultar em indivíduos com má formação ou com menor capacidade de adaptação ao ambiente”, explica. 


Análises moleculares feitas pela equipe de Eizirik em alguns exemplares de onça-pintada revelaram um dado ainda mais preocupante: a população efetiva da espécie, que corresponde aproximadamente ao número de adultos reprodutores, não chega a 50 indivíduos em cada uma das populações isoladas da mata atlântica. 



Diminuição perigosa



Como predador carnívoro de topo de cadeia, conhecido por sua mordida forte e fatal, a onça-pintada é responsável pelo controle populacional de diversas espécies que fazem parte de sua dieta. 


Seu eventual desaparecimento da mata atlântica poderá então, segundo o biólogo Ronaldo Morato, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, ocasionar, entre outros problemas ambientais, uma superpopulação de veados, antas, capivaras e porcos-do-mato. Morato é outro signatário da carta publicada na Science. 


Em grande quantidade, esses animais – a maioria deles herbívoros – se tornariam prejudiciais a algumas plantas da floresta. Na falta do predador, o aumento do número de outros carnívoros, como sucuris e jacarés, pode também ocasionar a extinção de outras espécies, como pequenos roedores. 




Sumiço explicado



Diversos fatores explicam a redução do número de onças-pintadas na mata atlântica. Um deles diz respeito à diminuição, nas últimas décadas, da área de floresta necessária à sobrevivência da espécie. O animal, habituado a viver de forma isolada, requer uma área de aproximadamente 100 km². 



Mas a onça-pintada quase não encontra mais fragmentos florestais desse tamanho. Estima-se que a mata atlântica, hoje com pouco mais de 100 mil km², tenha apenas 8% de sua área original, e seus fragmentos vêm se tornando cada vez menores diante dos constantes desmatamentos.




Baía de Antonina, no litoral paranaense, vista da serra do Mar, um dos trechos mais bem preservados da mata atlântica brasileira (foto: Wikimedia Commons/ Deyvid Setti e Eloy Olindo Setti – CC BY-SA 3.0)
Esse cenário, afirma Eduardo Eizirik, é agravado pela expansão das áreas de pastagem e de plantio no entorno dos fragmentos de mata, impedindo que animais de um fragmento interajam com os de outro. A caça do animal ou de suas presas pelo homem também é uma ameaça à conservação da espécie. 


Segundo Ronaldo Morato, algumas ações estão sendo planejadas com a finalidade de proteger a espécie. “Analisamos a viabilidade de intercambiar indivíduos entre biomas ou fazer suplementação populacional por meio de inseminação artificial.” 



Mas os pesquisadores adiantam que não é possível prever com rigor as consequências de tais medidas, já que é impossível controlar o comportamento do animal e seu instinto de voltar ao território original. “Ainda há chances de reversão do quadro”, afirma Eizirik. “Mas ações políticas e sociais de preservação devem ser tomadas imediatamente.” 





terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Retorno do recesso, primeira postagem do ano!

A partir de hoje estamos retornando com as postagens em nosso blog. E, como primeira do ano, faremos a divulgação do projeto "Clipping Ambiental - Informações e debates em Sala de Aula".

Imagem do blog do projeto

É uma iniciativa desenvolvida pela Faculdade de Educação do Instituto de Biologia da UFRJ - Projeto Fundão Biologia.

A ideia do "Clipping Socioambiental" é trazer ao professor materiais para debates em cima de temas do cotidiano.

Qualquer informação e todo o material do projeto pode ser acessado e baixado pelo seu blog. ACESSE-O AQUI!  http://2.bp.blogspot.com/-



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Chico Mendes: de Seringueiro a Patrono do Meio Ambiente

Chico Mendes and children 1988
Chico Mendes e seus Dois filhos (FONTE: Wikipédia)


Ontem (dia 16/12) foi sancionada uma Lei declarando o grande líder seringueiro Chico Mendes como patrono do meio ambiente no Brasil.

Chico Mendes foi um grande defensor da conservação da Amazônia. 

Por conta de seus prestigiados atos, Chico Mendes jé recebeu homenagens de vários órgãos conservacionistas e, dentre eles, possui um com o seu próprio nome (ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade).





A notícia na integra pode ser acessada no Portal O Eco.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Guia do Parque Nacional da Tijuca

O guia em questão não é de nossa produção mas merece ser divulgado. Ele foi feito por um grupo da UERJ Maracanã e foi modelado como um guia de campo com um enfoque didático. O guia pode ser acessado clicando aqui. E segue a noticia na integra: 
Guia do Parque Nacional da Tijuca estimula a consciência socioambiental de alunos da rede pública

Escolhido em outubro de 2013 como o melhor lugar para caminhadas em área urbana pelo guia internacional de viagens Lonely Planet, o Parque Nacional da Tijuca acaba de ganhar um guia de campo, organizado pela professora Andréa Espinola de Siqueira, do Instituto de Biologia da UERJ, juntamente com uma equipe multidisciplinar de 12 autores.
O Guia de Campo do Parque Nacional da Tijuca descreve com ilustrações o trajeto da Trilha dos Estudantes que, como o nome sugere, é tradicionalmente usada para visitas escolares. O percurso pode ser realizado por qualquer faixa etária e leva em média 40 minutos, dividido em três trechos: Caminho da Cascatinha, (em referência à Cascata Taunay, a mais alta e conhecida queda d'água do Parque, com 35 metros); Caminho dos Bancos (em alusão a dois bancos existentes no trajeto ? de alvenaria com azulejos franceses do século XIX ? e que, segundo a história, eram usados pelas donzelas para descansar de suas caminhadas); e o Caminho do Mesquita, que vai até o Centro de Visitantes, final da trilha.
A publicação é resultado de pesquisa desenvolvida a partir de 2012 com recursos da FAPERJ para o Projeto "A Floresta como Espaço Multidisciplinar na Educação: Conhecendo o Parque Nacional da Tijuca". O objetivo é ser usado como material de apoio aos professores da educação básica na utilização do Parque como local para o desenvolvimento de aulas não formais.
O Guia de Campo destaca pontos que podem ser observados e abordados pelos professores de acordo com a faixa etária dos alunos e com conteúdos curriculares das disciplinas de Ciências, Biologia, Geografia, História e Artes, que vão desde a educação infantil ao ensino médio. Podem ser consultadas as transcrições de textos das placas informativas e direcionais existentes na trilha e os textos dos painéis encontrados na exposição do Centro de Visitantes: com imagens e tempo estimado de caminhada de cada trecho do percurso, sugestões de temas a serem abordados e de atividades que podem ser realizadas em sala de aula.
O material inclui também um guia ilustrado sobre o percurso, além de um panfleto com orientações sobre o Parque para ser distribuído aos visitantes. "Esperamos que o roteiro proposto possibilite um suporte ao professor fora da sala de aula, estimule novas visitas ao Parque e que as propostas com caráter multidisciplinar contribuam para a formação dos alunos, incentivando-os a serem cidadãos com senso crítico do socioambiental, questionadores e conscientes de seu papel na sociedade", diz a professora Andréa Espínola.
A primeira tiragem, distribuída agora apenas em CDs, é de 2.000 unidades, direcionados a professores da educação básica nas escolas das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro.